Em Santana do Livramento (RS), uma tragédia familiar abalou a comunidade após um adolescente de 16 anos confessar ter assassinado o próprio pai, Mauro Kiper Miotti, de 56 anos, disparando um tiro de espingarda na cabeça, e enterrado o corpo em uma vala na zona rural. O caso ganhou repercussão quando várias denúncias apontaram graves abusos sexuais e psicológicos ao longo do tempo, segundo depoimentos da mãe do jovem.
Histórico de violência familiar
A mãe do adolescente, Schaiane Beutler, de 32 anos, relatou que os abusos começaram quando ela era criança, cometidos por Mauro, que era seu padrasto. Ainda segundo Schaiane, o filho nasceu desses abusos. A história, segundo ela, marcou toda a vida familiar.
Ela conta que o convívio com o pai, a partir dos 12 anos, foi marcado por maus-tratos, consumo de álcool, influências negativas e constantes insultos. “Ele falava na frente dele sobre os abusos que cometeu. Isso acabou destruindo a cabeça do meu filho”, disse Schaiane em entrevista ao Jornal A Plateia.
O crime e sua descoberta
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O homicídio teria ocorrido no dia 5 ou 6 de setembro, conforme relatam fontes policiais.
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A vítima foi morta com um tiro de espingarda, disparado pelas costas. O corpo foi enterrado em uma área rural na localidade conhecida como Rincão da Bolsa.
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A denúncia anônima levou a Polícia Civil até o jovem, que foi apreendido em 29 de setembro. Ele colaborou com as investigações, inclusive guiando os agentes até o local onde estava o corpo.
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Dois amigos, de 20 e 21 anos, foram presos acusados de ocultação de cadáver — ambos negam envolvimento no assassinato.
Possíveis motivações e consequências
A investigação aponta duas linhas principais como motivação do crime:
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A vingança e dor acumulada pelos abusos sofridos pela mãe, e pela própria vida marcada por esses abusos, conforme depoimento de Schaiane.
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A hipótese de interesse patrimonial, pois o jovem passou a administrar a borracharia da família após a morte do pai.
Além disso, logo após o crime, há relato de que o adolescente tentou atropelar o padrasto, em Palmeira das Missões. Ele usou o carro do pai na tentativa, mas sem sucesso.
Situação judicial
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O adolescente responderá pelo ato infracional análogo a homicídio qualificado e ocultação de cadáver, conforme o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).
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A mãe, em entrevistas, enfatiza que ele “não suportou mais” o peso emocional da situação. Contudo, lamenta profundamente o desfecho.

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