A 40ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Ilha Solteira, realizada na segunda-feira (08/12), foi marcada pela leitura de denúncias anônimas contra o secretário municipal de Educação, Frederico Gustavo Laluci Donadelli. As manifestações, encaminhadas previamente à Câmara, foram lidas pelo secretário da sessão, vereador Ricardo, e geraram forte repercussão entre servidores e parlamentares.
As queixas apresentadas apontam possíveis desmandos, autoritarismo, irregularidades no processo seletivo de gestores escolares e mudanças compulsórias de professores e profissionais do Atendimento Educacional Especializado (AEE), supostamente desconsiderando vínculos com alunos e critérios de classificação.
Entre as denúncias, professoras relatam adoecimento emocional diante das mudanças anunciadas, afirmando que o secretário teria declarado que “mudaria todas de unidade escolar” sem considerar histórico ou preferência profissional. Outro ponto questionado foi o processo seletivo de diretores, coordenadores e supervisores, descrito como “irregular”, com alegações de alterações no edital após o fim das inscrições, falhas na divulgação de resultados, ausência de lisura e banca examinadora supostamente despreparada.
Ao final da leitura, o presidente da Câmara informou que todas as denúncias serão encaminhadas ao assessor jurídico, ao controlador interno e às Comissões de Direitos Humanos, Cidadania, Justiça e Redação, seguindo o trâmite oficial.
SECRETÁRIO RESPONDE E DEFENDE PROCESSO BASEADO NA LEGISLAÇÃO E NA META 19
Na tarde desta quarta-feira, 10/12, a redação de reportagem do Portal Noroeste Paulista foi recebida pelo secretário Frederico em seu gabinete, onde ele respondeu ponto a ponto às acusações.
O secretário explicou que o processo seletivo atual adotou critérios de meritocracia, substituindo o modelo anterior baseado somente em títulos. Segundo ele, o objetivo foi valorizar desempenho, esforço e competência, alinhando a seleção à Meta 19 do Plano Nacional de Educação, que trata da gestão democrática e da adoção de critérios técnicos na escolha de gestores.
Frederico afirmou que três empresas participaram da licitação para aplicação das provas, sendo vencedora uma empresa que já havia atuado em gestões anteriores. Ele destacou que exigiu que todos os procedimentos seguissem rigorosamente o estatuto municipal e a legislação da educação.
Sobre as acusações de alterações no edital após as inscrições, o secretário confirmou que houve ajustes, mas justificou que foram feitos “para ampliar a transparência e a lisura do processo”.
A respeito da banca examinadora, respondeu que a empresa responsável solicitou indicações da Secretaria e das APMs das escolas, resultando na participação de um pai representante, escolhido entre indicados das unidades escolares e posteriormente capacitado para atuar na banca.
Frederico também afirmou que, faltando três dias para a atribuição, recebeu da empresa os planos e vídeos dos candidatos para análise. No dia da atribuição, disse que aplicou critérios alinhados ao perfil profissional, baseando-se na meritocracia para determinar a distribuição dos diretores, coordenadores e supervisores.
Sobre as mudanças de unidades — ponto central das denúncias — o secretário alegou que as mudanças já vinham sendo anunciadas desde o início de sua gestão e que foram realizadas “com vistas à melhoria da qualidade das unidades escolares”, respeitando a legislação.
Ao concluir a entrevista, afirmou que “todo o processo, do início ao fim, foi realizado de forma legal, respaldado pela legislação e pelo estatuto que rege a Secretaria Municipal de Educação de Ilha Solteira.”
A Câmara aguarda os pareceres jurídicos e técnicos para dar continuidade à análise das denúncias.

Portal Noroeste Paulista