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Sábado, 06 de Junho 2026
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Recuperação espontânea leva pesquisadores a cancelar aplicação experimental de polilaminina em jovem paraplégico

Paciente de 27 anos apresentou evolução neurológica considerada positiva pelos médicos e procedimento foi suspenso para evitar riscos de perda das funções já recuperadas

Recuperação espontânea leva pesquisadores a cancelar aplicação experimental de polilaminina em jovem paraplégico
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A aplicação experimental de polilaminina que seria realizada neste sábado (6), na Santa Casa de Araçatuba, a um jovem de 27 anos que ficou paraplégico após ser atingido por um disparo de arma de fogo, foi cancelada pela equipe médica após uma avaliação clínica identificar sinais importantes de recuperação neurológica espontânea.

O paciente seria o segundo da região a receber o tratamento experimental, que integra um protocolo autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em caráter compassivo. A autorização permite que pacientes em estado grave e sem alternativas terapêuticas tenham acesso a medicamentos ainda em fase de pesquisa.

A polilaminina é uma substância desenvolvida pela pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a partir da laminina, proteína natural extraída da placenta humana. O composto tem despertado interesse da comunidade científica por atuar como uma espécie de "ponte biológica", estimulando a reconexão dos neurônios após lesões graves na medula espinhal.

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No entanto, durante os exames realizados antes do procedimento, os pesquisadores da pesquisa “Tratamento da Lesão Raquimedular com Injeção de Polilamininaemconstataram, constataram que o paciente apresentava reflexos neurológicos e recuperação de funções que não eram esperadas em casos de lesão medular completa.

Segundo a equipe responsável, a presença desses sinais mudou completamente a avaliação do caso. A Anvisa autoriza o uso da polilaminina principalmente em pacientes com lesão medular completa, situação em que não existe qualquer movimento ou sensibilidade abaixo do local da lesão.

No caso do jovem de Araçatuba, os profissionais identificaram sensibilidade em regiões relacionadas a nervos mais inferiores da medula, indicando que parte das conexões nervosas permanece ativa e com potencial de recuperação.

Outro fator considerado decisivo foi a evolução clínica observada desde a alta hospitalar. De acordo com os médicos, o paciente já recuperou parte do controle urinário e deixou de depender de sonda vesical, um dos sinais de melhora funcional decorrentes da recuperação neurológica.

Diante desse cenário, a equipe optou por não realizar o procedimento. Isso porque a aplicação da polilaminina exige a introdução de uma agulha diretamente na medula espinhal, procedimento considerado invasivo e que, embora realizado com critérios rigorosos de segurança, envolve riscos.

A preocupação dos especialistas era evitar qualquer possibilidade de comprometimento das funções já recuperadas pelo paciente.

Segundo a avaliação médica, a recuperação espontânea observada representa uma notícia positiva e aumenta as perspectivas de evolução nos próximos meses. Por ser jovem e apresentar uma lesão considerada incompleta, o paciente possui potencial para recuperar ainda mais movimentos e sensibilidade por meio da reabilitação.

A recomendação da equipe é intensificar o tratamento fisioterapêutico e as sessões de terapia ocupacional, com o objetivo de acelerar o processo de recuperação funcional.

Embora a aplicação da polilaminina não tenha sido realizada, os profissionais envolvidos destacaram que a decisão foi tomada priorizando exclusivamente a segurança e o bem-estar do paciente.

Para os médicos, o cancelamento do procedimento não representa um retrocesso, mas sim a constatação de que o organismo do paciente está respondendo positivamente ao tratamento convencional e ao processo natural de recuperação, o que reduz a necessidade de uma intervenção experimental neste momento.

FONTE/CRÉDITOS: Roselana Aguiar

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