FALA COMUNIDADE
Com o objetivo de estar cada vez mais próxima dos problemas do dia a dia da população de Ilha Solteira e de toda a nossa região, a equipe do Portal Noroeste Paulista e da Web Rádio Ilha Solteira criou um novo espaço de participação popular: o FALA COMUNIDADE.
A partir de agora, você morador terá voz ativa em nossos veículos de comunicação. Por meio do nosso WhatsApp (18) 99739-0278 ou através do e-mail portalnoroestepaulista@gmail.com, poderá encaminhar reclamações, denúncias e problemas relacionados à sua rua, bairro ou comunidade, envolvendo áreas como saúde, transporte, educação, limpeza pública e segurança.
Nosso compromisso, como imprensa séria, transparente e imparcial, é publicar as demandas da população em nossos canais de comunicação e encaminhá-las às secretarias competentes, além dos vereadores, buscando cobrar providências e soluções para os problemas apresentados.
E para estrear este novo espaço, publicamos hoje uma crônica do ex-morador de Ilha Solteira, do senhor Luiz Carlos Munhoz, atualmente locutor, apresentador, jornalista e radialista da cidade vizinha de Andradina. Luiz Carlos ficou conhecido na década de 2000 por participar do programa do Gugu, realizando imitações de artistas renomados que marcaram sua trajetória na televisão brasileira.
A primeira publicação do FALA COMUNIDADE traz uma reflexão em forma de crônica sobre o incêndio ocorrido na tarde de ontem, que consumiu parte da estrutura do antigo bar do Clube SEIS, local que marcou época e faz parte da memória afetiva de muitos moradores de Ilha Solteira.
Por Luis Carlos Munhoz
Para quem viveu em Ilha Solteira nas décadas de 1980 e 1990, a imagem recente do antigo Clube SEIS (destinado originalmente aos operários das categorias 3 e 4 da CESP) sendo consumido pelo fogo e entregue às cinzas não é apenas um registro de incêndio.
É a certidão de óbito de uma era de ouro. É o retrato cruel do apagamento da nossa própria história.
O Auge:
O Coração Pulsante da Cidade Elétrica durante o auge da construção e consolidação da Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira, a cidade respirava o ritmo da CESP (Companhia Energética de São Paulo). Naquela estrutura urbana rigidamente planejada, os clubes recreativos eram o verdadeiro ponto de encontro e o coração social do município.
Enquanto os engenheiros e diretores de alto escalão frequentavam o CAIS (Clube Atlético Ilha Solteira), o SEIS — a Sociedade Esportiva Ilha Solteira — era o refúgio vibrante, a área de lazer onde os trabalhadores das categorias 3 e 4 que esqueciam o peso do trabalho pesado da barragem.
Nas décadas de 80 e 90, o clube transbordava vida:
Finais de semana inesquecíveis: Famílias inteiras reunidas ao redor das piscinas para aplacar o calor escaldante da região.
Esporte e Comunidade: Campeonatos acirrados de futebol de salão, vôlei e truco que mobilizavam bairros inteiros.
Noites de Gala e Bailes: Festas de Carnaval, bailes de debutantes e shows que marcaram a juventude de milhares de ilhenses.
O SEIS não era apenas tijolo e concreto; era o símbolo do suor, da dignidade e da alegria daqueles que ergueram uma das maiores usinas do mundo.
O Declínio: Do Esplendor ao Abandono
Com a privatização, a concessão da usina e as mudanças na administração das antigas propriedades da CESP, o patrimônio que outrora pertencia ao cotidiano da comunidade começou a ser fatiado e esquecido.
O SEIS, assim como outras tantas estruturas históricas da cidade (como a Pousada do Pavão e antigos alojamentos), entrou em uma espiral de abandono de dar nó na garganta de quem tem memória.
Mato alto, vidros quebrados, estruturas saqueadas e piscinas transformadas em focos de lodo.
O clube que já foi sinônimo de orgulho operário passou anos agonizando em praça pública, virando abrigo improvisado e ponto de vandalismo. Uma decadência lenta e dolorosa.
O Incêndio e o Clamor: Cadê as Autoridades?
O recente incêndio que atingiu o local não foi um acidente isolado; foi a crônica de uma tragédia anunciada. Quando o poder público e as empresas herdeiras desse patrimônio fecham os olhos para o abandono, o fogo e a destruição tornam-se meras consequências do descaso.
Ver as chamas consumirem parte do que resta do Clube SEIS deixa uma pergunta incômoda ecoando no peito de cada morador: Cadê as autoridades?
Uma cidade que não protege o seu passado condena o seu futuro ao esquecimento. O SEIS merecia ter sido transformado em um centro cultural, em uma escola técnica, em um complexo de saúde ou reabilitação — projetos que tantas vezes foram ensaiados, mas que morreram no papel.
Hoje, parte do antigo bar onde o incêndio atingiu ficou em cinzas, fumaça e a indignação. Mas, para os filhos da terra, as memórias dos mergulhos, dos gols e dos sorrisos nos anos 80 e 90 jamais queimarão.
Fica o luto e a cobrança por respeito à história viva de Ilha Solteira.
Luis Carlos Munhoz
Ex-Morador de Ilha Solteira
LOCUTOR/APRESENTADOR/JORNALISTA/RADIALISTA DE ANDRADINA

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