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Terceiro motim em 2026 expõe crise no CDP de Nova Independência e reacende alerta sobre o sistema prisional paulista

Presos incendiaram colchões, depredaram a unidade e atacaram servidores; superlotação e déficit de policiais penais agravam cenário nas penitenciárias do Estado

Terceiro motim em 2026 expõe crise no CDP de Nova Independência e reacende alerta sobre o sistema prisional paulista
Sidney - Jornal Gazeta da Região
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NOVA INDEPENDÊNCIA - O Centro de Detenção Provisória (CDP) de Nova Independência voltou a ser palco de tensão na tarde da última quarta-feira (15). Um motim registrado no Raio 5 mobilizou equipes da Polícia Penal e do Grupo de Intervenção Rápida (GIR), que conseguiram controlar a situação após presos incendiarem colchões, promoverem atos de vandalismo e atacarem servidores da unidade.

O episódio é o terceiro registrado em 2026 no CDP, reforçando o cenário de instabilidade enfrentado pela unidade prisional e evidenciando os desafios estruturais do sistema penitenciário paulista.

Segundo informações divulgadas pelo Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo (Sinppenal), a confusão começou por volta das 15h30, quando detentos atearam fogo em colchões, destruíram banheiros do pátio, danificaram um varal, arremessaram pedras de concreto contra servidores e fizeram ameaças aos funcionários da unidade. Durante a ação, também foram registradas pichações com a sigla de uma organização criminosa.

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Enquanto parte da equipe atuava para conter o incêndio e impedir que as chamas atingissem outros setores do pavilhão, o Grupo de Intervenção Rápida (GIR) foi acionado para controlar a rebelião. A resposta rápida da Polícia Penal evitou que o motim se espalhasse para outros raios da unidade.

Após o restabelecimento da ordem, seis detentos foram transferidos para outras unidades prisionais como medida de segurança. Conforme as informações divulgadas, nenhum servidor ficou ferido durante a ocorrência.

Histórico preocupa

O novo motim ocorre poucos meses após outra ocorrência semelhante registrada em abril. Na ocasião, 11 detentos se recusaram a retornar às celas do Pavilhão 8, incendiaram colchões, destruíram paredes, espelhos e câmeras de monitoramento e lançaram objetos contra os policiais penais. Assim como no episódio desta semana, o GIR precisou ser acionado para restabelecer a ordem, e os envolvidos foram transferidos para outras unidades.

Com três motins registrados em pouco mais de seis meses, cresce a preocupação com a segurança e as condições de funcionamento do CDP de Nova Independência.

Superlotação e falta de efetivo ampliam os riscos

Para o Sinppenal, a sucessão de ocorrências não pode ser analisada apenas sob a ótica disciplinar. O sindicato aponta que a realidade vivida pelos servidores é resultado de um sistema que opera acima dos seus limites.

Projetado para abrigar 798 detentos, o CDP de Nova Independência mantém atualmente 1.436 presos, número que representa aproximadamente 80% acima de sua capacidade.

O problema, entretanto, vai além da realidade da unidade. Dados apresentados pelo sindicato indicam que as 180 unidades prisionais do Estado de São Paulo abrigam mais de 229 mil pessoas privadas de liberdade, enquanto o sistema conta com cerca de 23 mil policiais penais, refletindo um déficit significativo de profissionais.

Segundo o Sinppenal, o efetivo enfrenta um déficit de aproximadamente 39%, enquanto cerca de 10% dos servidores encontram-se afastados por diferentes motivos. O sindicato também informa que, até abril deste ano, quatro policiais penais morreram por suicídio, situação que, segundo a entidade, evidencia o desgaste psicológico enfrentado pelos profissionais.

Na avaliação do sindicato, a combinação entre superlotação, déficit de efetivo, estruturas deterioradas e escassez de recursos cria um ambiente cada vez mais propício para a ocorrência de motins e episódios de violência dentro das unidades prisionais.

Enquanto as investigações sobre o motim seguem em andamento, o novo episódio reforça o debate sobre a necessidade de investimentos em infraestrutura, reforço no quadro de servidores e melhorias nas condições de trabalho da Polícia Penal, considerada peça fundamental para a manutenção da segurança no sistema prisional paulista.

FONTE/CRÉDITOS: Sidney - Jornal Gazeta da Região

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