ILHA SOLTEIRA - Durante a 62ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Ilha Solteira, realizada na segunda-feira (29), um dos momentos de maior repercussão ocorreu durante a discussão do Requerimento nº 128/2026, de autoria do vereador Beto (Alberto dos Santos Júnior), que solicita informações ao prefeito e à Secretaria Municipal de Assistência Social sobre as ações desenvolvidas em atendimento às pessoas em situação de rua, especialmente durante o período de baixas temperaturas.
Após a defesa do requerimento feita por Beto, o líder do governo na Câmara, vereador Sargento Carlos, utilizou a tribuna para rebater parte das afirmações apresentadas, dando início a um longo debate envolvendo diversos parlamentares.
Sargento Carlos rebate fala de Beto
O vereador Sargento Carlos iniciou sua manifestação afirmando que levaria pessoalmente as demandas apresentadas por Beto ao prefeito, mesmo com a aprovação do requerimento pela Câmara.
Na sequência, contestou a informação apresentada por Beto de que haveria 42 pessoas em situação de rua no município.
Segundo o parlamentar, esse número não corresponde mais à realidade atual.
De acordo com Sargento Carlos, as informações recebidas junto ao secretário municipal de Segurança Pública, subtenente Daniel, apontam que hoje existe menos da metade desse contingente, pois muitos moradores de rua que vieram de outras cidades retornaram aos seus municípios de origem após a implantação do programa municipal "Ordem e Dignidade".
O vereador afirmou que a Guarda Civil Municipal realiza acompanhamento diário dessas pessoas, oferecendo encaminhamentos para atendimento odontológico, CAPS e outros serviços públicos.
Ele classificou esse trabalho como um atendimento digno à população em situação de rua.
Mais adiante, voltou à tribuna para acrescentar que, segundo informações obtidas junto ao secretário de Segurança, a maioria das pessoas que permanecem nas ruas possui família em Ilha Solteira, mas opta por não retornar às suas residências.
Também explicou que, conforme entendimento do Poder Judiciário, essas pessoas têm o direito de permanecer nas ruas caso assim desejem e que dependentes químicos somente podem ser internados compulsoriamente mediante determinação judicial, sendo possível o encaminhamento para tratamento apenas quando há manifestação voluntária do próprio interessado.
Beto rebate as afirmações do líder do governo
Após a fala de Sargento Carlos, o vereador Beto voltou à tribuna para contestar as declarações do líder do governo.
Inicialmente, afirmou que o número de 42 pessoas em situação de rua não foi criado por ele, mas informado pela servidora Fabíola, da Secretaria Municipal de Assistência Social, durante visita realizada ao CREAS juntamente com sua assessora Camila.
Beto ressaltou que jamais subiria à tribuna para divulgar uma informação falsa.
Em seguida, criticou a afirmação de que essas pessoas estariam sendo tratadas com dignidade.
Segundo ele, não considera digno ver pessoas dormindo em calçadas, cobertas apenas com papelão, durante noites de frio intenso.
O vereador esclareceu que, ao solicitar ajuda ao líder do governo, não pretendia apenas obter informações administrativas.
Disse que esperava que Sargento Carlos levasse ao prefeito um pedido para resolver o problema de forma prática, recuperando um prédio público, como o antigo NASP, para servir de abrigo temporário.
Beto declarou que, caso fosse necessário, ajudaria pessoalmente na limpeza e pintura do imóvel, desde que a estrutura fosse colocada à disposição das pessoas em situação de vulnerabilidade.
Durante sua fala, também fez um apelo para que o município demonstrasse mais empatia com essa população, defendendo que políticas públicas devem priorizar o acolhimento e não apenas ações administrativas.
Ao final, voltou a discordar da afirmação de que essas pessoas estariam recebendo tratamento digno e declarou acreditar que, mesmo após o debate, continuariam dormindo em locais inadequados.
Tomate critica divergência entre secretarias e confronta líder do governo
O vereador Tomate foi um dos parlamentares que mais participou da discussão.
Inicialmente, afirmou que a divergência entre os números apresentados pela Assistência Social e pela Secretaria de Segurança demonstrava falta de comunicação entre as secretarias municipais.
Segundo ele, não era possível que duas áreas da administração apresentassem informações diferentes sobre um mesmo tema.
Tomate declarou que não admitia que a fala de Beto fosse tratada como mentirosa, uma vez que os dados haviam sido obtidos oficialmente junto à Assistência Social.
Durante o debate, criticou o governo municipal por, segundo ele, responsabilizar terceiros pelos problemas enfrentados pela cidade.
Posteriormente, voltou a rebater Sargento Carlos quando este afirmou que a maioria das pessoas em situação de rua era moradora de Ilha Solteira.
Tomate questionou quais dados comprovavam essa afirmação e cobrou informações oficiais.
Na sequência, o debate tornou-se mais acalorado.
O vereador acusou o líder do governo de divulgar informações sem comprovação e de defender constantemente o Executivo municipal.
Também voltou a mencionar o programa federal Centro POP, afirmando que pretende buscar informações em Brasília para tentar viabilizar a implantação desse serviço em Ilha Solteira, argumentando que seria uma política pública destinada ao atendimento especializado da população em situação de rua.
Ao final de sua participação, reiterou que discordava da afirmação de que essas pessoas estavam sendo tratadas com dignidade, sustentando que muitas continuavam dormindo em imóveis abandonados e locais sem condições adequadas.
Elaine Bonete relembra ação realizada em governo anterior
A vereadora Elaine Bonete também participou do debate.
Ela recordou que, durante a administração anterior, a então primeira-dama Carla desenvolvia ações voltadas ao acolhimento de pessoas em situação de rua durante os períodos de frio.
Segundo Elaine, havia um espaço preparado com colchões, lençóis, toalhas e kits de higiene para receber essas pessoas temporariamente.
A vereadora afirmou que esse exemplo poderia ser retomado pela atual administração e observou que esse planejamento deveria ter sido realizado antes da chegada das baixas temperaturas.
Presidente Ricardo Casagrande critica falta de integração entre secretarias
Ao comentar o debate, o presidente da Câmara, Ricardo Casagrande, afirmou que não pretendia entrar no mérito das acusações trocadas entre os vereadores, mas chamou atenção para um aspecto que considerou preocupante.
Segundo Ricardo, o episódio demonstrou uma falta de integração entre as secretarias municipais.
Ele observou que um vereador apresentou dados obtidos junto à Assistência Social enquanto o líder do governo apresentou números diferentes atribuídos à Secretaria de Segurança.
Na avaliação do presidente, essa divergência evidencia ausência de diálogo interno dentro da administração municipal.
Ricardo afirmou que a responsabilidade por essa situação é do prefeito, por entender que cabe ao chefe do Executivo coordenar e integrar sua equipe.
Também criticou o fato de o governo, segundo ele, continuar atribuindo problemas à administração anterior mesmo após dezoito meses de mandato.
Durante sua fala, declarou que a população espera soluções práticas e não transferência de responsabilidades.
Murilo Lima aponta problemas na elaboração de decreto
O vereador Murilo Lima também utilizou a palavra durante o debate.
Segundo ele, a discussão demonstrava que as secretarias municipais não trabalham de forma integrada.
Murilo afirmou que o próprio decreto municipal relacionado ao programa citado durante a sessão teria sido elaborado sem participação adequada das secretarias diretamente envolvidas.
Na avaliação do vereador, políticas públicas dessa natureza deveriam ser instituídas por meio de projeto de lei aprovado pela Câmara Municipal e não apenas por decreto do Poder Executivo.
Ele concluiu afirmando que esse episódio reforça a necessidade de maior planejamento técnico e integração entre os setores da administração municipal.
Requerimento aprovado
Após o encerramento das manifestações, o Requerimento nº 128/2026 foi colocado em votação e aprovado por unanimidade pelos vereadores presentes.
O documento solicita que a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Assistência Social encaminhem informações detalhadas sobre as ações desenvolvidas para atendimento das pessoas em situação de rua, especialmente durante os períodos de baixas temperaturas, tema que motivou um dos debates mais intensos da sessão ordinária.

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