A confirmação, feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ataques militares em território venezuelano e da captura de Nicolás Maduro provocou uma imediata reação da comunidade internacional neste sábado (3), expondo profundas divisões diplomáticas e elevando o nível de alerta sobre uma possível escalada do conflito.
Aliados históricos do governo de Caracas condenaram duramente a intervenção armada, enquanto países europeus adotaram uma postura cautelosa, pedindo moderação e reforçando o acompanhamento da segurança de seus cidadãos na Venezuela. Na América do Sul, as manifestações foram divergentes, refletindo diferentes alinhamentos políticos e estratégicos na região.
Condenação de aliados e alerta russo
A Rússia classificou a operação americana como um “ato de agressão armada” e defendeu que as partes evitem qualquer escalada militar, ressaltando a necessidade de buscar soluções por meio do diálogo. Moscou reafirmou sua posição contrária a intervenções unilaterais e alertou para os riscos de instabilidade regional.
Cuba também reagiu de forma contundente. O presidente Miguel Díaz-Canel descreveu a ação como um ataque “criminoso”, reforçando o discurso de violação da soberania venezuelana e de afronta ao direito internacional.
Na Colômbia, o governo manifestou “profunda preocupação” com os desdobramentos do conflito e rejeitou medidas unilaterais que possam colocar em risco a população civil, especialmente em uma região já marcada por fluxos migratórios e tensões fronteiriças.
Internamente, o governo venezuelano decretou estado de emergência nacional e anunciou a ativação de planos de defesa, enquanto o cenário político permanece incerto após a retirada do presidente do país.
Europa pede moderação e acompanha crise
Na Europa, a reação foi marcada pela cautela. A Espanha solicitou o respeito ao direito internacional e defendeu a desescalada do conflito. Alemanha e Itália informaram que equipes de crise acompanham de perto os acontecimentos em Caracas e monitoram a situação de suas comunidades no país.
A União Europeia, por meio da chefe de política externa, Kaja Kallas, também pediu moderação. Em publicação nas redes sociais, ela afirmou ter conversado com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e reforçou a posição do bloco.
“A União Europeia tem afirmado reiteradamente que o sr. Maduro carece de legitimidade e defende uma transição pacífica. Em todas as circunstâncias, os princípios do direito internacional e a Carta da ONU devem ser respeitados. Apelamos à moderação”, escreveu Kallas.
América do Sul dividida
Na América do Sul, as reações evidenciaram a fragmentação política da região. O presidente da Argentina, Javier Milei, comemorou a ofensiva americana e a captura de Maduro. Em uma publicação nas redes sociais, ao compartilhar a notícia, escreveu: “A liberdade avança”.
Em contraste, o Chile adotou uma postura crítica. O presidente Gabriel Boric expressou preocupação e defendeu a adesão aos princípios básicos do direito internacional, afirmando que a crise venezuelana deve ser resolvida por meio do diálogo e do multilateralismo, e não por meio da violência ou de interferência estrangeira.
Entenda a operação
A ação militar teve início por volta das 3h deste sábado (horário de Brasília), com explosões e colunas de fumaça registradas em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira durante cerca de 90 minutos.
Donald Trump afirmou que a operação resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, que foram retirados do território venezuelano. A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou que o paradeiro do líder é desconhecido pelo governo local.
O episódio marca um novo capítulo na crise venezuelana e reforça o risco de que o conflito extrapole as fronteiras do país, envolvendo diretamente potências globais e aprofundando divisões diplomáticas na América Latina e na Europa.

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