A vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu interinamente a Presidência da Venezuela neste sábado (3), em uma cerimônia realizada de forma reservada em Caracas. A informação foi divulgada pelo jornal The New York Times e confirmada por duas fontes ligadas ao governo venezuelano, que falaram sob condição de anonimato por temerem represálias.
A posse ocorreu no mesmo dia em que o presidente Nicolás Maduro foi capturado por forças dos Estados Unidos durante uma operação militar na capital venezuelana e retirado do país. Até então, o governo venezuelano tratava o paradeiro do chefe do Executivo como incerto e chegou a exigir provas de vida de Maduro e da primeira-dama.
Aliada política de longa data de Maduro, Delcy Rodríguez ocupa posição central no núcleo do poder chavista e exercia o cargo de vice-presidente desde 2018. A cerimônia de posse não foi transmitida nem anunciada oficialmente, em meio a um cenário de instabilidade política, institucional e militar no país.
Pressão da oposição e disputa pela legitimidade
A mudança no comando do Executivo ocorre paralelamente ao avanço do discurso da oposição. Também neste sábado, a líder oposicionista María Corina Machado defendeu publicamente que Edmundo González Urrutia assuma imediatamente a Presidência da Venezuela, alegando que ele foi o vencedor legítimo das eleições de 2024.
Em comunicado, Machado afirmou que a oposição está pronta para “fazer valer o mandato popular” e cobrou o reconhecimento de González como presidente constitucional e comandante-chefe das Forças Armadas. Atualmente exilado na Espanha, González declarou nas redes sociais que o país vive “horas decisivas” e disse estar preparado para conduzir um processo de reconstrução nacional.
O governo venezuelano e o tribunal eleitoral, alinhados a Maduro, nunca divulgaram as atas eleitorais que comprovariam a vitória declarada do então presidente, o que levou parte da comunidade internacional a não reconhecer o resultado do pleito.
Cenário internacional e próximos passos
Enquanto a disputa interna se intensifica, os Estados Unidos confirmaram oficialmente a captura de Nicolás Maduro e informaram que avaliam os próximos passos em relação ao futuro político da Venezuela. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que Washington terá envolvimento direto nos desdobramentos do país, incluindo no setor petrolífero.
O episódio aprofunda a crise venezuelana e amplia a incerteza sobre a condução política do país, que passa a enfrentar simultaneamente uma transição de poder contestada, pressão internacional e um cenário de instabilidade institucional sem precedentes recentes.
Fonte/Créditos: https://ultimosegundo.ig.com.br/
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