A Câmara Municipal de Ilha Solteira realizou, na noite desta semana, uma sessão extraordinária marcada por discursos duros, acusações diretas ao Executivo e forte divisão entre os vereadores durante a análise do Projeto de Lei nº 3/2026, de autoria do prefeito Rodrigo Batista Gonçalves, que autoriza a abertura de crédito adicional suplementar no orçamento municipal.
A sessão foi aberta com quórum regimental, leitura bíblica e aprovação unânime da suspensão da leitura da ata anterior. Antes da análise do projeto principal, foi votado e aprovado, também por unanimidade, o Requerimento nº 13/2026, que permitiu a tramitação da matéria em regime extraordinário, sem passagem pelas comissões permanentes.
Na sequência, foi lido o parecer jurídico da Casa e o parecer do relator especial, vereador Valdir, favorável à constitucionalidade e legalidade da proposta. Os pareceres foram aprovados por unanimidade, abrindo espaço para a discussão do mérito do projeto — momento em que o clima político se acirrou.
Ricardo Casagrande denuncia retirada de recursos da Saúde e acusa governo de transferir culpa à Câmara
Ao utilizar a tribuna, o vereador Ricardo Casagrande fez um longo pronunciamento no qual criticou duramente o conteúdo do projeto e a postura do Executivo. Segundo ele, o prefeito estaria tentando transferir à Câmara a responsabilidade pela falta de limpeza urbana na cidade, apesar de o problema se arrastar desde o início da gestão.
Casagrande explicou que, inicialmente, houve diálogo entre vereadores e representantes do governo, com a sinalização de um remanejamento de aproximadamente R$ 3 milhões para reforçar a Secretaria de Desenvolvimento. No entanto, o projeto enviado à Câmara surpreendeu os parlamentares ao prever um valor mais que o dobro: R$ 6,6 milhões.
O vereador denunciou que, desse montante, quase R$ 3 milhões seriam retirados da Saúde e cerca de R$ 1 milhão da Assistência Social, o que classificou como inaceitável. Para ele, o governo manteve recursos para eventos e festas, mas optou por cortar verbas justamente das áreas mais sensíveis.
Casagrande também rebateu a justificativa do Executivo de que parte do dinheiro retirado da Saúde seria usada posteriormente para o Hospital Regional. Segundo ele, essa manobra seria ilegal e inconstitucional, pois não se pode retirar recursos de uma pasta para depois devolvê-los por outro caminho orçamentário.
Beto reforça críticas e alerta para impactos sociais
O vereador Alberto dos Santos Júnior (Beto) reforçou o posicionamento contrário ao projeto. Ele destacou que a retirada de recursos da Assistência Social ocorre em um momento de aumento da população em situação de vulnerabilidade no município, com dificuldades no atendimento a famílias carentes, distribuição de cestas básicas e assistência a pessoas acamadas.
Beto afirmou que o Legislativo não é contra a limpeza urbana, mas contra a forma como o projeto foi construído. Para ele, a Prefeitura falhou no planejamento ao longo de mais de um ano e agora tenta resolver o problema às pressas, sacrificando áreas essenciais.
O parlamentar também criticou a narrativa de que a Câmara estaria “travando a cidade”, classificando o discurso como injusto e enganoso. Ao final, declarou voto contrário ao projeto, afirmando que não aceitaria retirar dinheiro da Saúde e da Assistência Social para corrigir erros administrativos.
Tomate aponta risco legal e fala em “cheque em branco” ao Executivo
Na sequência, o vereador Tomate apresentou uma análise técnica do projeto e afirmou que a justificativa apresentada pelo Executivo não se sustenta. Segundo ele, a própria legislação permite que o prefeito remaneje até 10% do orçamento da Saúde dentro da própria pasta, sem autorização da Câmara.
Para o Vereador Tomate, o fato de o projeto retirar recursos da Saúde e transferi-los para a Secretaria de Desenvolvimento indica que o dinheiro não retornaria à área da Saúde, contrariando o discurso oficial. Ele alertou que a proposta concede ao Executivo um “cheque em branco”, concentrando aproximadamente R$ 12,6 milhões em uma única secretaria, sem detalhamento suficiente.
O vereador também criticou a inclusão genérica de repasses ao chamado “terceiro setor” e alertou que os parlamentares poderiam ser responsabilizados futuramente caso aprovassem o projeto sem a devida transparência.
Sargento Carlos admite desconhecimento técnico e vota a favor
Em contraponto aos discursos críticos, o vereador Sargento Carlos declarou publicamente que não possui conhecimento técnico aprofundado sobre orçamento público, afirmando que não é especialista na área financeira. Mesmo assim, disse confiar na justificativa apresentada pelo Executivo.
O parlamentar defendeu que o projeto se trata apenas de um remanejamento orçamentário e que o valor previsto poderia ser reduzido durante o processo licitatório, dependendo das propostas apresentadas. Para ele, a situação da limpeza urbana é grave e exige uma resposta imediata do governo.
Apesar de reconhecer que não domina o tema, Sargento Carlos votou favoravelmente à aprovação do projeto, que visa de acordo com a maioria dos vereadores que votaram contra, retirar recursos da saúde.
Votação expõe divisão e gera repercussão política
Ao final da sessão, o Projeto de Lei nº 3/2026 foi REPROVADO, mantendo o posicionamento firme contra a retirada de recursos da Saúde e da Assistência Social.
🔴 Vereadores que votaram CONTRA o projeto
(retirada de recursos da Saúde e Assistência Social)
- Vereador Beto PSD
- Vereador Tomate PT
- Vereador Alex Rocha PL
- Vereador Cido UNIÃO
- Vereadora Elaine MDB
- Vereador Murilo PT
- Vereador Ricardo da Band MDB
- Vereador Valdir Moto Taxi PSD
🟢 Vereadores que votaram A FAVOR do projeto
(alinhados à proposta do prefeito)
– Vereador Sargento Carlos PL
Nem o Vereador Alex Rocha que faz parte da base do governo municipal e pertence ao mesmo partido do Vereador Sargento Carlos, votou favorável ao projeto do prefeito que pretende retirar recursos da saúde.

A sessão extraordinária deixou evidente o clima de tensão entre Executivo e Legislativo e abriu um novo capítulo no debate político de Ilha Solteira, especialmente em relação à gestão dos recursos públicos e à prioridade dada à Saúde no orçamento municipal.

Fonte/Créditos: Portal Noroeste Paulista
Créditos (Imagem de capa): Portal Noroeste Paulista

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